(Darn As Sole Dark Led En Us)

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Terno branco

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Tomando banho e bebendo como de costume, o cheiro dela entra em sua narina o excitando, ele se prepara para se masturbar em homenagem a sua recente aventura sexual quando ao olhar seu revólver em cima da pia, para seu movimento e se recorda de quando as coisas ficaram estranhas…
“Estou a dias nessa cama, de vez em quando aparece alguém na porta, pessoas de jaleco correm de um lugar ao outro, tinha outra pessoa deitada na cama ao lado, que depois de uns dias se transformava em outra, mas todos se foram, a televisão está desligada, obviamente não há interesse em ligar, mantenho me acordado por pouco tempo, não consigo distinguir muito bem, sonho de realidade, sei quando é real somente quando o cheiro dela invade o ambiente.
Não consigo me movimentar, então ela passa a esponja no meu corpo enquanto conta sobre sua vida, algo que não tenho interesse algum, minha mente vaga pelo corpo dela, depois de todo monólogo dela e meu “banho”  terminado ela se vai prometendo voltar.
Isso acontecia todos os dias, fomos ficando mais íntimos, eu desejava acordar somente no horário de sua ” visita íntima”, mas eu não falava sobre minha vida, não precisava disfarçar que isso me incomodava, ela não questionava, gostava de falar, comecei a prestar mais atenção nela, cada dia eu sentia mais desejo pelo seu belo corpo.
Não sei por quanto tempo permanecei desacordado, mas um homem vestido de branco, está sentado ao meu lado, ele parece ter saído de algum filme dos anos 60, terno branco, sapato branco dentes brancos, a única coisa não branca nele é sua pele.
-Vejo que acordou, bom dia queridinha. Sua voz é rouca, e seu cumprimento me deixa puto.
-Bom dia, se realmente for dia, qual é dessa roupa branca? Eu morri e você em anjo? Ou estou num filme de época e você é o ator mais lixo que encontraram?
– Vejo que já está bancando o bad boy, isso é bom, não sou ator e muito menos anjo, e incrivelmente você não morreu, vim verificar isso.
– Como você me encontrou?
– Foi eu que te coloquei aqui, para começo de conversa, sou eu que estou pagando suas despesas, você é precioso para algumas pessoas, seu trabalho sempre é necessário.
– Algo me diz que estamos fora da minha cidade e chuto mais, fora do país.
– Você nunca mais teve uma cidade, depois que começou, não ficava parado em lugar nenhum, e sim estamos fora do país, mas como pode ver esse local pertence a nossa cultura, todos falam sua língua.
– Meu trabalho implica a não ter laços, mas independente de onde estou, eu tenho um esconderijo aqui.
– Eu já imaginava, bom já que está mais lúcido vou contar umas coisas, seus alvos ainda estão vivos, com exceção do que você matou, o corpo tinha sumido da cena, mas foi localizado quilômetros da onde foi morto, encontrado queimado e irreconhecível, soubemos que era o seu alvo pelo exame de balística.
– vocês são bons, Governo? Alguma força especial? Bom, sei que não vai dizer, mas porque tanto trabalho para me manter vivo? Existem outros como eu no mercado.
– Isso é fato, mas você foi o único capaz de acertar um deles, e outros acreditam que são fantasmas, lendas urbanas, assim como você.
– E eu tenho motivos para acabar com eles, e isso me incentiva a ir atrás, acertei?
– Sim, escute já estamos a anos na caça deles, mas misteriosamente eles desaparecem e eles vão atrás de você, quando você voltar a agir, e sei que vai.
– Não estava pensando em me aposentar realmente.
– Bom vou me retirar, você tem que descansar, aconteceu mais coisas depois da sua pseudomorte, não confie em ninguém.
Umas semanas depois eu já estava em pé, porém não contei aos médicos ou a enfermeira, fui ao meu esconderijo das montanhas e fiquei lá por um tempo, sabia onde estava graças a enfermeira, que ficou triste por saber que eu me daria alta e sumiria em breve.
Agora que estou melhor, fora meus antigos alvos tenho que buscar a cabeça dos que me caçam, tenho que acabar com os falsos dias da semana.”
Ele fecha o chuveiro, coloca uma bermuda e adormece segurando sua arma embaixo do travesseiro, está em segurança por enquanto, afinal hoje ainda não é quarta feira.

 

Showman

showmanO despertador soa o alarme, hora de mais uma batalha, como guerreiro, ajoelha e faz sua oração pedindo proteção, beija a face de seus filhos que dormem, sua esposa acordada da um beijo de café, pega sua marmita na geladeira e parte pra guerra diária.
Um malabarista driblando as pessoas no ônibus lotado, se apertando ao máximo para não se machucar ou machucar alguém no metrô lotado.
Um domador de leão, se esforçando no trabalho para seu chefe não o mandar embora.
Meio dia, a marmita requentada acalma o coração que insiste em desejar desistir, mas encontra força para continuar, tem sua família para zelar.
O mágico, faz seu maior truque, consegue com o pouco que recebe pagar as contas e o alimento diário, nada de luxo só o essencial.
Mas tem fé em Deus e sabe que dias melhores viram, porém não espera eles chegarem, ele está indo atrás e vai conseguir tê-los, nem que precise amarra-los.
Tarde da noite, chega em casa, é abraçado e beijado pelos que zela.
O palhaço triste, ainda faz palhaçadas com um sorriso pintado no rosto, para sua família não perceber seu desespero.
Ajoelha e reza, agradecendo por mais um dia vivo.
O Showman, o herói o guerreiro, o trabalhador, segue todo dia nesse ritual, interpretando todos os papeis nesse circo que o pão foi amassado pelo diabo.

Compra

Ele estava decidido, é seria hoje, não dava mais para adiar, entrou na loja e foi recebido com sorriso por um vendedor, usando uma camisa com os dizeres “posso ajudar?”, ele sorriu de volta e foi de encontro ao vendedor, olhava toda mercadoria que se encontrava em exposição, sentou em algumas, o preço não era importante, o conforto acima de tudo, coisas baratas nem sempre são ruins e nem coisas caras sempre são boas, por isso pacientemente ele procurava, não era uma tarefa qualquer, seria a primeira de muitas, sabia o que queria conforto.
- O senhor pode gostar dessa! Disse o simpático vendedor. “Como seria mais fácil se ela estivesse comigo” ele pensou.
Já percorrera a loja toda, e nada parecia digno de sua amada, o vendedor já não parecia tão feliz como no começo. Então teve uma ideia fechou o olho e deixou seu corpo cair, não teve o resultado espera na primeira tentativa, nem nas três seguintes, até que na última tentativa, sentiu segurança, conforto, algo digno dela, seria essa, ao avisar sua escolha o vendedor voltou a sorrir, e foi começar a papelada, enquanto esperava ele sentiu o baque da mudança, antes era bem mais fácil, um sofá velho uma almofada e um cobertor era suficiente para seu conforto, agora passa uma hora pra escolher o melhor pra ela.
Enquanto caminhava em direção ao caixa, sorria pensando o quanto está feliz, finalmente está completo.
Até perceber que a cama era só o começo, faltava inúmeros móveis, então decidiu deixar ela escolher da próxima visita a loja.

Violência

Violência.
É a palavra chave, para ele violência era sua droga preferida, deixava de se alcoolizar se tivesse alguém com quem brigar, não importando o tamanho do seu oponente, credo ou cor da pele, o que importava era a violência, se sentia vivo, ao voltar pra casa cheio de hematomas, não usava armas, não gostava de facas canivetes ou soco inglês, gostava de sentir sua mão acertando seus oponentes, a quem diga, que era só depois de uma briga que conseguiam ver seu sorriso de moleque maroto. Não é um rapaz feio esteticamente falando, algumas garotas suspiram ao ver ele passar.
Tem um bom emprego, suas roupas são caras e sua moto nova é invejada por seus colegas. Mas ele não liga para essas coisas, tem por ter dinheiro pra ter, é inteligente, forte, rápido e habilidoso, quando não está com a cara enfiada na mão de algum oponente, esta com a mesma enfiada em algum livro.
Suas brigas, acontecem em noites entediadas, em locais longe de seus amigos, só alguns colegas sabem de sua paixão pela Violência, não que esconda dos outros o que faz, mas não é muito de falar sobre si, todos ao seu redor o respeitam, por dele emanar um ar de guerreiro, seus olhos castanhos claros como mel puro, vivem escondido atrás de seus óculos escuros de aviador, por chamar muita atenção (coisa que ele não gosta) e por ajudar a esconder os hematomas dos finais de semana de liberdade.
Violência.
Pura violência, foi sua infância, era magro demais, sempre foi um apaixonado por livros, alvo fácil para os valentões, apanhava sempre e quando chegava em casa apanhava de novo, por não saber se defender, seu pai não aceitava isso, não aceitava que seu filho fosse um frouxo, apanhava em silêncio, não demonstrava sentir dor, não chorava, apenas ficava imóvel, sentindo a cinta rasgar sua pele, cresceu sua mente antes de seu corpo, era o primeiro da sala, não se sentia bem perto das pessoas, apenas de alguns que o consideram amigo até hoje, entrou na academia depois de ter se formado no ensino médio, usava roupas largas para esconder sua evolução, tentou lutas, mas não respeitava as regras e sempre era expulso das aulas, por deixar alguém gravemente ferido, quatro anos se passaram, agora ele é desenhado seu corpo está como ele desejava, mas ainda esconde em baixo de roupas folgadas, só mostra quando briga.
Violência.
A pura violência começou quando ele estava andando na rua, um homem enorme estava batendo em uma criança de rua, ele deixou seu corpo comandar, sem pensar segurou a mão do gigante, assustado com suas mãos presas, o agressor de criança virou e chutou seu estômago, o forçando a soltar a mão de seu rival, a fúria tomou conta do agressor, ele começou a desferir golpes nele, movimentos sem muito sentido, socava a cara, o peito chutava o estômago e as pernas, uma paz começou a brotar em seu peito, com rapidez e agilidade, segurou a perna de seu oponente e com o outro braço com força deu uma cotovelada no joelho de seu rival, soltou e como um felino pulou para cima de sua vítima, cada golpe que dava se sentia melhor, depois de bater ate cansar, virou e viu que a criança não estava mais ali, sorrindo com um dente a menos e sua boca escorrendo sangue, descobriu como sentir paz. 
Não se tornou um herói defensor dos fracos e oprimidos, não virou um justiceiro, que faz justiça com as próprias mãos, ele é um viciado, um viciado em violência.
Na pura violência.

Pensamento

 

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 6:30 hs, a manhã está invisível, coberta por uma camada grossa de neblina, eu deveria estar a caminho do trabalho, mas minhas pernas me trouxeram a essa praça e agora estou aqui sentado ouvindo música, tive uma discussão boba com ela, mas me sinto mal, afinal são tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo.
trabalhar hoje me parece inútil, não falto no trabalho, vou até doente, é meu compromisso e aprendi a respeitar e honrar todos, mas hoje não estou bem, tudo por culpa de uma briga boba, a um ano atrás, eu não perderia um dia de trabalho por causa de uma briga. 
  Eu era um ser raivoso, vivia querendo confusão, sempre me senti livre e vivo a cada golpe que recebia, mas a um ano as coisas mudaram e hoje me encontro aqui.
Muitas coisas estão mudando rápido demais, amigos casando, decepção com outros, a perda da vontade de sair sem ela do lado.
  Poderia ter ficado em casa, mas não acho que lá é meu lar, meus familiares não me conhecem, não percebem minha dor e minha confusão, não era uma fase, não é que eu queira atenção, tantos anos sem aprendi a me divertir com um papel de bala sozinho.
  As pessoas passam apressadamente em direção de suas rotinas, eu as observo com inveja, não gosto de rotina, não tenho paciência pra praticar as mesmas coisas todos os dias, mas elas não parecem se importar em viver uma vida de repetições.
  Um morador de rua passa revirando lixo seguido por seus fiéis amigos caninos, ele encontra um pão e senta em um banco perto de mim, divide o pão em partes iguais e distribui para os cachorros, e fica com uma parte do mesmo tamanho para si, revisto meu bolso encontro e dou duas notas, sem olhar o valor, ele sorri e segue seu caminho.
  O dia já se mostra quente, um céu azul surge por detrás das cortinas feita de neblina.
Já não sei quanto tempo estou aqui, não olho pro relógio o tempo é meu inimigo assim como a distância em que me encontro do meu lar. Lar não é uma casa, lar é onde está seu coração e o meu está em outro estado.
  Estranho como as coisas seguiram, eu independente agora querendo me casar, antes solitário e habituado a condição, a solidão sempre foi minha melhor companheira, entrava em relacionamentos para ser endeusado, minhas vontades serem atendidas, agora encontro-me rastejando por uma única mulher, precisando urgentemente dela ao meu lado, um estranho dependente desse amor.
  Quero só ir pra longe com ela, não preciso de riquezas, não quero fama, só uma casinha humilde e ela ao meu lado observando nosso filhos correndo no quintal.
  Estou com fome e outra vez vasculho minhas coisas atrás de dinheiro, não sobrou nem uma moeda. O jeito é ir pra casa andando, e músicas de amor por ela cantando.

Recomeço

    
 
Entro na casa, estou fora a uns dias, acendo a luz, e procuro alguém na casa, mas percebo que nada está fora do lugar, tudo exatamente como deixei. Tiro minha camisa mas algo chama minha atenção, jogo a camisa no chão da sala e tento descobrir o que há de errado.
    Um cheiro forte fez os pelos de minha nuca arrepiarem, algo no cheiro me deixa extasiado, procuro a fonte do aroma, estranhamente a luz do banheiro está acesa, a porta meio aberta, coloco a mão na minha cintura e sinto minha arma, lentamente entro no corredor que da acesso ao banheiro, sinto cheiro de perfume feminino, ouço passos e minha arma encontrasse na minha mão, na parte de trás da minha calça. Seguro o cabo com força e meu dedo instintivamente encontra o gatilho, entro no banheiro e ela está de costas pra mim, o cheiro que senti era de incensos que estão acesos espalhados por todo o local.
     Servindo dois copos de whisky me ve pelo espelho, loira com um corpo desenhado de deixar qualquer dançarina com inveja, pelo espelho vejo seus seios fartos e seus bicos rosados.
     A cena fez meu membro subir como um foguete de ano novo.
     -Ficou alegre ao me ver ou isso é sua arma? Ela olhava para minhas pernas pelo espelho.
     -Como você entrou aqui?
     -E o mais importante o que faz aqui? Falei enquanto ela se virava, estava nua, veio calmamente em minha direção e me deu um dos copos. Bebi em um so gole e coloquei o opp em segurança na pia.
     -Bom já se passaram duas semanas desde que saiu do hospital, e procurei nos formulários seu endereço, sua chave reserva é fácil de ser encontrada.
     -isso responde uma pergunta, agora responda a outra o que faz aqui?
     -Resolvi te visitar, sua casa é confortável apesar do cheiro de mofo e do ar sombrio! Ela estava inteiramente nua, e cada vez que falava seus seios subiam e desciam numa dança hipinotizante.
     -Se sabe que estou armado, porque está tão calma? Você invadiu minha residência, posso te matar só por saber chegar aqui! Ela ri, sem perder tempo avança e me beija.
     Fico sem reação por alguns segundos, enquanto sua lingua entra na minha boca como uma cobra buscando sua presa, sem soltar a arma puxo seu cabelo e a forço a ficar de joelho, aquilo a deixou eufórica, ela abriu o zíper da minha calça e começou a me sugar com volúpia, perto de ejacular comecei a mentalizar coisas estranhas, para aproveitar ao máximo o momento não funcionou muito, ela sabia o que eatava fazendo, ela soube quando ia acontecer e me olhando engoliu todo o esperma, a força a fiz ficar em pé joguei ela na parede embaixo do chuveiro, ela abriu as pernas e começou a se masturbar, me ajeitei atrás dela e enfiei a ponta da minha arma dentro dela, ela urrou de prazer enquanto eu colocavabe tirava minha arma nela.
os cachorros da rua começaram a latir e ela a gemer, quando senti seu corpo estremecer, abri mais as pernas dela e com força penetrei meu membro sem avisar, pude sentir ela toda lubifricada. Comecei a socar com força enquanto puxava seu cabelo e mordia seu pescoço, cada vez que ela tentava falar algo eu puxava mais seu cabeloe tapava sua boca com a mão livre, ainda segurando a arma gozei dentro dela, deixei ela sentir meu pênis latejar e ejaular dentro daquela vagina quente.
senti uma dor no peito, olhei era um dos pontos que não tinha cicatrizado, estava aberto e sangrando. Sai de perto dela e me servi de uma dose de whisky bebi e joguei na ferida um pouco. Eu estava pronto para mais.
     – Deite no chão!  Ordenei, apontando a arma para a cabeça dela, ela não falou nada apenas obedeceu.
     Abriu as pernas e se masturbou enquanto eu tirava a minha calça, seus olhos não saiam de cima de mim, aquilo me deixou mais excitado, ajoelhei entre suas pernas enfiei a minha arma e sem pensar comecei a chupar ela, enquanto com o dedo massageava seu clitóris, ela puxava meu cabelo e gemia alto, mnha língua entrava nela e eu sugava tido seu líquido vaginal. Não demorou muito para ela ter um orgasmo, aproveitando que ela estava mais excitada penetrei nela mais uma vez com força ela gemia e me arranhava, eu a enforcava gozei umas duas  vezes.
     – Bom, está cansada? Ela disse que não que queria mais, falava e gemia ao mesmo tempo, ficou de quatro e arrebitou a bunda pra mim.
     – Me fode! Implorou.
    Enfiei meu pênis na buceta dela com vontade, fome desejo de comer aquela mulher, por anos, enquanto eu enfiava ela rebolava e se arrebitava mais cada vez que eu puxava seu cabelo. Gozamos juntos e caimos de lado, ambos ofegavamos, mas não dissemos uma só palavra.
    Levantei e servi duas doses de whisky, bebi as duas e reparei que o cachorro do meu vizinho estava quieto.
     Quieto demais.
     – Você chamou alguém para nossa festa? Perguntei, enquanto pegava minha arma do chão.
     – Não, está pensando em algo? Ela respondeu me olhando sorridente.
     – Entre no quarto, não estamos sozinhos, algum penetra quer participar de nossa festa, embaixo da cama tem um alçapão, entre lá e só saia quando eu mandar.
     Ela me obedeceu, sem perguntar foi silenciosamente para o quarto, escutei a janela abrir, vantagem de ter uma casa velha, tudo faz barulhos.
     -Eu sei que você me ouviu, não creio que está tão invalido assim! uma voz rouca vem da sala, um homem, pela força que pisa no chão é um caçador.
     -Você veio para me matar, ou para babar meu ovo? sinto muito mas eu estou meio esgotado, volta outra hora para que eu mate seu desejo de ser fodido.
     -Há muito engraçado da sua parte, vim terminar o serviço, você deveria ter permanecido morto, eu sou o novo numero um.
     -Sabe que eu não ligo para posições, se me conhece você tem uma vantagem sobre mim! sabia que ele estava se aproximando seria um tiro apenas, uma chance apenas isso.
     -Tudo bem, você será apenas um numero no cemitério, isso termina agora! ele entrou no banheiro, empunhava uma arma clássica, mas aparentemente era novato, não foi rápido suficiente joguei uma dose de whisky no olho dele e um tiro no meio do peito, infelizmente ele conseguiu apertar o gatilho e acertou meu braço de raspão.
     -Você será caçado caçador, todos querem seu lugar, outros dias da semana surgiram, não sou o último.
Morto no banheiro fui até o quarto sentei na cama e chamei a mulher, ela saiu se esgueirando de baixo da cama.
     -Você está ferido temos que ir para um hospital.
     -Não vamos não, costure você, afinal os outros que tenho foram feitos por suas mãos.
     -Tudo bem onde está a linha?
     -No criado mudo, fique a vontade, mas vê se costura direito. A proposito que dia da semana é hoje?
     -Quarta-feira!
     -Odeio Quarta-feira.

Solitário voador

Ele voava sempre que sentia sozinho, não era difícil, era questão de prática, o segredo era fechar os olhos sentir todos problemas saindo do corpo como se fossem uma roupa pesada das gotas da chuva.
Isso se tornou um hábito, normalmente nos domingos, ele acorda, olha ao redor e instintivamente sai voando pela janela, o tempo pouco importa, fica horas voando sem rumo ou voa até seu observatório particular, construído a eras atrás em cima da montanha mais alta, provavelmente construída por um solitário voador, já que chegar mesmo escalando é quase impossível. O observatório é uma casa em cima de uma árvore enorme e aparentemente tão antiga quanto o tempo, tem um cômodo apenas e uma varanda, local que fica a rede e o telescópio incrivelmente potente e antigo, possibilitando ver tudo em quilômetros detalhadamente. Achou o observatório no seu segundo vôo, como se soubesse onde tinha que ir foi pelas nuvens até encontrar, verificou se existia alguém dentro, depois de umas voltas teve certeza que estava abandonado, e fez de lá sua fortaleza, existia poemas jogados no chão, papeia amarelados pelo tempo, depois de ler todos resolveu escrever os próprios.
Ele descobriu que voava, por acidente, ninguém da sua família ou amigos aparentam saber voar também, talvez por sempre estarem acompanhados ou atarefados demais para tentar, um dia ele viu um pássaro voando, levantou a mão para alcançar e quando se deu conta estava voando, não era difícil, na verdade foi como se tivesse feito desde sempre. Logicamente que descobrir como voar quando queria levou um certo tempo, mas agora ele é um expert no assunto.
Quando está no céu, observa as pessoas se divertindo, isso serve como impulso o jogando mais alto, de cima consegue enxergar as cores com mais detalhes, incrivelmente seus olhos ficam mais apurados, consegue ler os lábios dos que estão lá embaixo.
Consegue perceber os olhares apaixonados dos amantes, as brigas de casais por besteiras, ninguém parece notar seu vôo solitário, atarefados com seus problemas e afazeres que não olham para o céu.
Em seu observatório, ele observa e escreve poemas e contos, sobre um mundo unido, seus sonhos são palpáveis, não tem grandes objetivos, nem deseja grandes riquezas. Ele não entende muito porque se sente assim, o que o torna diferente, porque é excluído socialmente. Não é feliz, mas sua infelicidade se baseia na solidão do mundo, nas pessoas com fome enquanto outros brigam por bobagens, nos animais extintos e nos abandonados, nas crianças exploradas e abusadas, de cima ele observa tudo com olhos cheios de lágrimas. Não poder fazer nada para impedir, não tem força o suficiente e sua voz é muito baixa para ser ouvida.
Ele voa, continua a voar até se afastar de tudo, se sofre por algo que vê começa a cair, seu corpo se torna pesado se algo o faz lembrar de seus problemas pessoais, então ele se esforça para ignorar esses pensamentos, se não a queda será feia e ele é humano (pelo menos é o que acredita ser) morreria facilmente caindo da altura que alcança voando.
Porque as pessoas não podem respeitar uns aos outros? Porque somente ele sabe voar? Ele não consegue entender isso.
Com o anoitecer seus problemas começam o preocupar e ele volta a seu quarto, em sua casa ninguém nunca nota sua ausência, ele prefere assim, não tem que se explicar a ninguém.
Encosta sua cabeça em seu travesseiro depois de ter vestido todos seus problemas que pesam em seu corpo e tenta inutilmente dormir, passa mais uma noite de insônia querendo soluções para seus problemas.
Esquece dos problemas do mundo e de seus poemas, esquece até da sensação de voar.
Talvez foi o que aconteceu com o antigo dono do observatório, vestiu seus problemas pela última vez e nunca mais conseguiu tirar.

Guerra fria

 
Tudo estava calmo, ambos os lados estavam em harmonia, a paz reinava, sorrisos, abraços e beijos aconteciam.
Mas a paz não durou, uma frase mal interpretada, fez com que tudo começasse.
Olhares frios, ameaças seguidas por silêncios. O orgulho falando alto, ninguém admite o erro, chove forte, o calor humano se foi.
Um arame farpado agora divide a fronteira, aproximação faz com que uma bomba exploda, um campo minado ativado por palavras existe agora.
As vozes são duras, cada palavra lançada, provoca cortes profundos ou reabre cicatrizes do passado, nenhum dos lados tenta entender o outro.
O silêncio torna-se maior, a tensão aumenta a cada palavra engasgada em gargantas magoadas.
Um desejo de bater em alguém, o ódio pela indiferença, os atos inconsequentes tornam-se hábitos destrutivos, a busca por soluções através de comidas ou bebidas é cada vez maior, mas cada vez tem menos efeito.
Lembranças dos dias de paz, começam a perturbar a mente de ambos os lados, mas a ferida sangra mais a cada tentativa de reconciliação, tornando o movimento lerdo, o silêncio reina inquietante. Até que o pedido de desculpas acontece, um sussurro em primeiro lugar, quase o outro lado não ouve, até em forma de grito desesperado, por não aceitar mais a condição em que se encontram, ecoa através da fronteira.
Foi deixado de lado, esquecido o motivo das lagrimas, sorrisos voltaram a aparecer, tímidos abraços demorados e juras acontecem, afinal o medo de perder para sempre é maior que o orgulho.
As cicatrizes voltam a fechar, novas aparecem. O desejo de que nada possa atrapalhar a paz, novamente é estabelecido.
Tudo tem que ser realmente resolvido, para que assim não aconteça outra guerra fria.

Companheira

Tenho um carinho enorme por ela, passamos muitas noites juntos, até dormimos juntos em sua cama.
Ela é linda, sua voz é serena, sempre me chama para jantar, me serve sorrindo.

Me sinto triste quando ela não está comigo, seu perfume permanece em meus pelos, isso me deixa infeliz.
Mas depois do trabalho ela volta, deita minha cabeça no colo dela e assistimos o noticiário juntos, isso me deixa em paz, a ponto de pegar no sono.
Mas uma coisa aconteceu, ela anda suspirando de um lado para o outro desde que conheceu um novo amigo.
Quase não tem tempo pra mim. Isso me irrita, ando estressado, tenho passado a maior parte do tempo longe dela, andando pelas ruas a noite, procurando me distrair.
Hoje o fulano está na casa dela, posso ver pela janela, estão sentados no sofá conversando e rindo.
Mas espere que pássaro é aquele que voa em cima deles? Não é um pássaro, meus amigos me contaram sobre ele, mas achava que era só boatos. Agora tudo faz sentido. Entro sorrateiramente na casa e vejo o tal pássaro acertar uma flechada no amigo, que começa a suspirar e olhar apaixonado para ela.
O cupido prepara mais uma flecha e procura um angulo para acertar ela em cheio, mas para seu azar eu pulo e lhe pego no ar, dilacero suas asas e ele evapora no segundo seguinte.
Ninguém vai ficar entre eu e minha dona…
– O que foi Felix? Está brincando? Venha aqui no meu colo. Esse é o Felix meu companheiro.
– Hum não suporto felinos! Está tarde vou para casa, nos vemos qualquer hora.
E assim mais uma vez tudo voltou ao normal miaaaauuuu!

Especial

Ele era especial como todos humanos,  um verme que acha que manda na terra, que se satisfaz ajudando os seus, que ta sempre deprimido por ser esquecido, a única coisa boa em sua vida médiocre é sua namorada. Que o tolo teme perder mais que a própria vida.
Pobre criatura desajeitada, sempre mostrando que é capaz de fazer o que lhe pedem, mas nunca tem o reconhecimento  merecido.
Sempre se esforçando para ser amigo de todos,  e recebe sempre o papel de amigo figurante,  só é chamado para sair para completar a cota, não é lembrado quando todos estão bem, mas se algo foge do padrão vão atrás dele correndo para serem aconselhados.
Quando está mal por algo, sua única opção é esconder, atrás de um olhar duro, já que se contar vai ser taxado de dramático ou rebelde sem causa.
Lhe foi tirado o direito de ter problemas.
Palhaço do circo que queima, criatura estúpida, nem como tolo no comando esse ser inútil serve.
Mal humorado, ele nunca sorri, sincero até demais, suas palavras machucam, mas sempre aconselha quem precisa.
Pobre depressiva criatura, pássaro azul engaiolado em seus medos.
Ninguém parece notar sua presença, um fantasma de alguém que só existe na hora da necessidade.
Criaturinha que acredita ser especial, sempre se colocando em um pedestal, mas caindo de cara toda vez que sobe demais.
Mais um final de semana, ele passa sozinho, bebendo e fumando, esperando ser chamado para alguma atividade em bando, seu cigarro é sua sentença de morte, maneira se se matar sem que interfiram, afinal ele está cansado de viver.
Porém alguém vai aparecer, e lá vai o idiota ajudar os seus outra vez.
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