Me apaixonei por um anjo

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Estavam sentados em um banco de uma praça que existia um coreto, estava quente, quase tão quente como imagino que o inferno seja. Tomavam vodca e derretiam, iguais a soldadinhos de plásticos na mão de uma criança com uma lente de aumento ao mesmo tempo, numa tarde ensolarada com sorriso maldoso na face, mas ali já era noite uma noite quente que demônios usavam leque para se abanar e evitavam possuir pessoas, afinal uma roupa de carne e nervos, deve ser muito pouco confortável nesse clima.

– Eu amei uma estrela, a pior bosta que pode se fazer.

– Como assim amou uma estrela? Normalmente, poetas amam a lua!

 – Primeiramente não sou poeta, mesmo se fosse, sabe bem que não sigo regras específicas de nenhuma forma, então não me venha com essa de normalmente!

 – Você no mínimo está bêbado, ou usou drogas de mais, algum dia, para ser exato no dia que amou a tal estrela!

– Eu não amei a “tal estrela” um dia apenas, foram anos, anos de tortura psicológica e um rombo no coração, antes que venha com papo de que sou dramático, deixe lhe contar como tudo aconteceu.

  “Eu tinha acabado de descer do ónibus, encontrei uns amigos nessa mesma praça e me chamaram para ir à um bar, tomar uma gelada e ficar em paz, afinal fazia um bom tempo que não nos encontrávamos. Fomos para um bar e eu não tinha reparado que ela estava no meio deles, sentamos numa mesa próxima a rua e bebemos, até aí tudo estava normal, bebidas e risadas, quando percebi a presença dela ao meu lado, na cadeira do lado para ser mais exato, o sorriso dela era encantador, tinha algo em seus olhos que me dopava sempre que nossos olhares se encontravam, mas eu sempre voltava a pensar nas minhas coisas, me isolava, talvez medo, não sei ao certo. Acabaram as cervejas e resolvemos voltar para essa praça, estavam todos meio aéreos, e eu para variar estava sóbrio e entediado…

– Normal, era apenas você sendo você!

– Grande observação meu caro, já estava sonhando que era eu sendo um peru! Deixe de comentários inteligentes e deixe continuar se não acabo me perdendo em devaneios.

“…Todos os machos presentes estavam tentando de todas as formas chamarem a atenção dela, todos menos um, esse que está aqui bebendo e contando uma tragédia grega, ela não demonstrava interesse em nenhum, e convenhamos que eu era se não o mais estranho, o mais desinteressante do grupo, em um certo ponto ela deita em meu colo e começamos a conversar sobre coisas aleatórias, não consigo me lembrar da conversa por mais que sonhe ainda com o dia em questão. Depois de muita conversa eu resolvi acompanhar a garota até sua casa, meus amigos riram da situação, dizendo em sussurros para mim que era uma caminhada grande para um fora a ser tomado, dei de ombros e a levei, realmente foi uma longa caminhada, andamos o tempo todo abraçados e conversando, ela estava meio a alcoolizado, o que fez a viagem demorar muito mais, mas enfim chegamos a sua moradia, conversamos mais um pouco e nos despedimos, cheguei bem perto da sua boca… “

– E se beijaram, e foi assim que você se apaixonou por uma estrela!

– Mais um comentário inteligente meu amigo, quer continuar a história você, vendo que você estava lá e sabe exatamente tudo que aconteceu!

-Está bom, está bom, me passe mais um bronzeador de pulmão que eu me calo!

– Você realmente tem que começar a sustentar seus próprios vícios, espero que seja a última intromissão sábia da sua parte. E antes que me interrompa, o maço de cigarro vai estar aí se precisar é só pegar. Onde eu estava? Assim lembrei…

 “…. Cheguei bem perto de sua boca, mas algo me fez recuar, chame de bom senso ou apenas idiotice de princípio, trocamos telefones e voltei caminhando de volta para a praça, meus amigos estavam me esperando e todos questionaram se eu fiquei com ela. Não menti para eles, não teve beijos ou outra coisa, só conversa alcoólicas.

 Cheguei em casa e senti falta de algo, mas estranhamente estava tudo comigo, pelo menos foi o que eu acreditei, semanas se passaram e com elas horas no telefone com a estrela, até que surgiu uma oportunidade de nos vermos, minha respiração estava pesada, borboletas no estômago insistiam em voar, as horas antes do encontro não passavam, eu tentava afogar as borboletas com álcool, mas não funcionava de alguma forma elas eram imune, bom eu não, eu estava bêbado pouco tempo antes do encontro, resolvi ir andando, uma caminhada de uma hora até a praça da cidade, iria me acalmar e me deixar um pouco sóbrio, estava frio sai sem blusa, no caminho só conseguia lembrar do sorriso dela, o quanto eu precisava tê-la comigo. Enfim cheguei inexplicavelmente sóbrio, ela apareceu alguns minutos eternos depois, linda com uma calça jeans uma camiseta com algum logo de banda e um sorriso enorme, compramos cerveja e sentamos em um desses bancos daqui, e horas se passaram, eu me sentia seguro ao lado dela nada mais importava, foi ficando tarde e perdemos o ultimo ônibus que ia até a casa dela, novamente acompanhei até a casa dela, mas com a diferença de estarmos terrivelmente sóbrios. No portão da sua casa tivemos uma pequena conversa.

– Pensei que você fosse me beijar na outras vez que estávamos aqui! Ela disse, o que achei estranho, afinal nesses tempos de telefonemas, conversas e até mesmo nesse último encontro ela não tinha tocado no assunto, não deixava nada claro sobre a existência de um futuro nós.

– Você estava levemente alcoolizada, tive vontade sim, mas não me sentiria bem comigo, em um beijo com sabor de álcool e também não sou tão previsível assim!

– Isso realmente! Todas vezes que conversávamos, eu acreditava que você tentaria alguma coisa, mas você se manteve firme! E ela riu.

 – Os rapazes já dizem que temos um caso!

– Até minha mãe diz isso, mas eu pergunto agora a você, temos um caso? Aquela pergunta veio como uma flechada certeira a queima roupa de um cupido grande musculoso e mal-encarado. Eu devi ter ficado em silêncio por um tempo longo, ela me encarava e tentava decifrar meu rosto. Então respirei e respondi:

– Temos um caso de amizade, mais que isso precisava ser selado e pedido e isso não aconteceu, não que eu não deseje, acho que é medo de ser rejeitado…

Antes mesmo de eu terminar a frase ela estava me beijando, um beijo longo, quente e demorado, algo aconteceu, algo no meu peito, uma paz inexplicável, uma paz e derrapante quando ela se afastou um vazio onde existe o coração (ou existia talvez).

Sendo sincero com você, não lembro nem como cheguei em casa, só me lembro de ter acordado atrasado para o trabalho no dia seguinte, de não conseguir tirar ela da cabeça de jeito nenhum. Nos encontramos várias vezes tínhamos um caso estranho, não nos víamos todos dias, só quando dava para ela me encontrar, e isso doía, fui me afastando dos amigos, de baladas, a vida parecia só ter sentido quando ela estava por perto, e isso estava cada vez mais raro de acontecer, até que um dia sem explicação lógica nosso caso acabou.

E eu? Bom eu morri, sem meu coração, sem minha estrela, eu morri e renasci como você me conhece, eterno solteiro, frio e calculista…”

– Espere acabou assim? O que aconteceu com sua estrela? E nunca mais vai recuperar seu coração, sei que é metáfora, mas nunca mais você amou ou amará?

– Meu amigo isso será história para outra hora, afinal o cigarro e o álcool acabou e preciso de uma nova garota para dormir essa noite.

E lá se foi o rapaz sem coração, deixando seu amigo com muitas coisas para pensar, talvez tenha conhecido a tal estrela, ou o outro era um romancista ruim.

O rapaz sem coração caminhava cantarolando uma estranha frase.

-Pacto selado

Por um beijo um coração roubado…

 

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Medo

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Medo… assustador, paralisante, medo…

Tem gente que tem medo de ficar só. Imagine você feliz e sorridente caminhando, quando sem aviso prévio, PLOFT, todos seres humanos da terra desaparecem, você começa a se sentir o herói do livro eu sou a lenda.

É um medo até que entendível.

Tem outros seres que tem medo do mar, pra ser mais exato dos seres que nele habitam.

Imaginamos estarmos numa praia, sentados relaxados e uma onda do tamanho de um prédio aparece no meio do mar, junto com ela a sombra enorme de um polvo gigante, o filho do H.P. Lovecraft, surge e começa a escolher com seus tentáculos quem será seu almoço, ele provavelmente está enjoado de Sushi.

Acho que evitarei praias por um tempo.

Existem outros que tem medo de lugares apertados.

Você em um elevador no meio do percurso ele para, entre dois andares, a energia acaba, as paredes do elevador, parecem estar fechando em sua volta, o ar está rarefeito, não tem ninguém por perto e ninguém ouve seus gritos desesperados de socorro, começa a surgir a ideia de que ficará lá para sempre, em um caixão de metal, sozinho e com as paredes a cada segundo diminuindo mais.

Subir de escada os 20 andares, não me parece ser tão ruim assim.

Tem uns que tem medo de voar.

Um voo comercial, você comendo aquelas bolachas servidas no avião um café com gosto de requentado, tudo normal, uma turbulência começa, pessoas gritando ao seu redor, sua vida passando lentamente na sua frente enquanto você segue as instruções de segurança que a aeromoça ensinou no início da viagem, nota que sua vida foi desperdiçada com coisas fúteis, se não for religioso começa a se apegar a crenças populares e fazer juramentos de que se escapar, se tornará uma pessoa melhor.

– Alô mãe? Decidi que vou de ônibus te visitar!

Existe medo de: barata, ratos, animais grandes pequenos, de dois caras andando em cima de uma moto na rua escura, de ser assaltado, de bala perdida, de germes, de falta de remédio, de injeção, etc…

Se tem uma coisa que tenho medo é do tédio.

Ele desmonta o maior dos heróis, faz donzelas desistirem de esperar seus príncipes encantados e aceitarem morbidamente a prisão que estão, sem visão de dias melhores, longe da cela fria e silenciosa.

Ah como eu tenho medo do tédio é assombroso!

Pense comigo!

No meio de tantas coisas possíveis para se fazer, ele chega, deixando tudo sem vida, tudo se torna chato, infinitas possibilidades do que se fazer se tornando nada mais que puro tédio.

Tédio com um T tão grande que deixaria arranha-céus do tamanho de casinha de bonecas.

Que seja eterno enquanto dure, o eterno pode durar milênios, ou segundos, no meu caso dura até o tédio predominar.

Infinito é só o assombro de se entediar, finito é o desejo, o prazer ou até mesmo o sofrimento, o tédio parece que sempre vem pra ficar.

Nada é eterno, mas que seja infinito enquanto dure.

Ou até me entediar.

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Anjos reciclados

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Enquanto vocês estão felizes em suas casas, eles estão por aí vagando pelas ruas, procurando suas vítimas, estão soltos porque o governo achou certo eles estarem em liberdade, independente de seus crimes brutais, o governo acredita que estão prontos para servir a sociedade.

Eu sei da outra verdade, esses monstros não param, eles dificilmente querem outra vida, 95% VOLTAM A PRATICAR O MESMO CRIME.

Qualquer um pode estar correndo perigo nesse exato momento, um desses anjos reformados pelo governo pode estar entrando em uma casa que não lhe pertence e matando cruelmente um pai de família.

Eu sou a cura desse câncer superdesenvolvido pelo governo, o ceifador dos “Anjos reciclados”, se estou certo ou errado, não sei bem, afinal na atual regra da sociedade certo é quem tem dinheiro, errado é quem não tem.

Não sou superior a ninguém, não sou imortal, um dia serei pego, talvez pelos “Anjos reciclados”, talvez pelo sistema judicial, talvez pelo filho da puta de um trombadinha que veio roubar meu carro na hora do rush, posso estar um passo à frente do alimento da minha foice, mas não estou seguro o tempo todo.

Quando comecei não era notícia de televisão, mesmo porque não seguia padrões, a não ser o fato de todos anjos caídos serem, ex-detentos, mas demorou um pouco para se ligarem a esse detalhe, afinal todos eram “bons cidadãos”, menos para suas vítimas, pessoas que não falam mais em sua maioria.

Segui por dias o primeiro, um estuprador, depois de ser condenado a 8 anos pelos seus crimes, 12 mulheres ao total, foi liberto aos 3 por bom comportamento, um mês depois seguiu sua atividade normal, uma garota que voltava para casa de sua faculdade. A estuprou e largou seu corpo em um córrego perto da residência dela, poucos quarteirões da sua última vítima antes de ir em cana, seu primeiro ato falho, o segundo foi agir em menos de dois dias, numa hora que eu estava o vigiando, sua segunda vítima era uma mulher de programa que estava fumando um cigarro no intervalo de um trabalho e outro, ele pegou ela pelos cabelos e arrastou para dentro do beco, rasgou a roupa dela e antes de começar, o acertei com uma garrafa de vodka  a qual eu tinha acabado de  beber. Arrastei o corpo dele sem consciência e coloquei dentro do meu carro, a garota não demonstrou se preocupar em ver um cara encapuzado arrastando um corpo, afinal quem iria acreditar nela? Antes de ir jogo um pingente de uma foice no chão e vou embora

Em casa, o amarrei e esperei ele recobrar a consciência.

Câmera ligada, ele começa a despertar hora da ação.

– Que porra fez comigo? E perguntou.

– Eu não fiz nada… ainda!

– Quem é você? E essa fantasia? Já é o dia das bruxas?

– Eu sou o ceifador de anjos, a queda dos reciclados pelos homens!

– Você é louco cara, me solte seu porra!

– Você Jhames teve sua redenção, teve sua segunda chance e mesmo assim insistiu em errar de novo, poderia ter tentado arrumar um emprego e vivido de boa, mas em vez disso voltou a sua velha rotina, mais violento, antes não matava suas vítimas, mas agora só estuprar não é mais suficiente para você!

– Eu não matei ninguém, você não tem como provar seu babaca!

– Infelizmente para você, não preciso provar nada, não sou policial!

– Me entregue a polícia, eles me prendem e fica assim!

– Para que? Sair livre novamente? E novamente cometer seus crimes? Não, você será exemplo a partir de agora, “Anjos reciclados” como você pensaram duas vezes antes de agir! Mas chega de papo.

Dizendo isso pego uma foice e corto sua garganta, fim do primeiro ato, corta…

Se parei por aí? Acho que não…

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Quinta Feira

Duas horas se passaram desde que eu subi nesse telhado, nenhum movimento na rua, nem latidos de cachorros, estou começando a achar que a dica foi errada, vou acabar com a vida do meu novo informante.

Eu já estava ficando entediado, a meses não aparecia trabalho e os que me caçam não moviam um dedo, já estava crendo que ninguém me caçava, até que o terno branco entra em contato comigo. Um serviço fácil dizia ele, uma filha de um chefão de alguma multinacional foi sequestrada, caso de polícia eu disse, mas ele disse que o sequestrador matou alguns seguranças invadiu a casa da garota e não deixou rastro.

Coisa de profissional a marca deixada foi o calendário marcado todas quintas feiras do mês. Meu cigarro está acabando e minha paciência também.

Quinta feira, meu alvo sempre vem para essa residência, mas já está escurecendo e nada desse inseto aparecer. Meu último cigarro está acabando, minha paciência esgotou, estou ficando velho para isso. Vou entrar na casa, o problema é fazer sem deixar rastro, nenhuma janela aberta a porta é estranhamente feita de ferro, uma fortaleza. Quando resolvo me mover vejo um carro se aproximando da casa, um homem negro aparentemente sem muita idade, desceu do carro, olhou para todos os lados retirou umas sacolas do porta mala e entrou na casa. Ascendeu as luzes da casa e não fez mais nenhum ruído.

Na esquina da rua tem um bar, vou comprar meu cancerígeno, enquanto ele não sai, desço do telhado sem fazer nenhum ruído, para minha felicidade não tem nenhum animal na região. Pego meu carro estaciono na frente do bar ao descer vejo que o suspeito apareceu na janela, provavelmente meu carro despertou interesse. Ignoro e entro no bar.

-Tem cigarros?

– Não vendemos cigarros aqui!

– Como não? Aqui não é um bar?

-Sim, mas não vendemos cigarros!

-Era o que me faltava, bom então me sirva um trago de rum.

– Gelo?

– Não, por favor leve na mesa ali fora.

-Hum…

-Ok.

Na frente do bar tem duas mesas uma com alguns rapazes conversando, me aproximo e pergunto se alguém tem cigarros, logo aparece um acendo e fico esperando meu trago. Nenhum movimento aparente na casa, isso já está ficando chato.

Depois de alguns 20 tragos, meu alvo sai da casa olha para os dois lados, guarda uma mala no porta malas do carro e volta para dentro. Aproveito a deixa pago ao dono do bar e entro no meu carro, dobro a esquina estaciono e deixo o carro ligado, ele vai sair, tenho que segui-lo, estava certo em poucos minutos ele estava na minha frente acelerando, o sigo a uma distância que não dê para ele me ver.

Depois de meia hora dirigindo na estrada ele entra em uma avenida movimentada, estaciona o carro na frente de um bar e entra. Troco de blusa e o sigo. O bar está praticamente vazio, só tem um andar e uma porta que da acesso à rua de trás. Mas não encontro meu alvo, olho em volta e ele não está lá. Compro um maço de cigarros e pergunto sobre o rapaz que acabou de entrar, sou informado que ele saiu pelos fundos, pago e vou atrás.

Ninguém na rua, nenhum rastro ele pode estar em qualquer lugar.

CLICK…

Uma arma engatilhada, o som vem de trás, para minha infelicidade era meu alvo, portando uma arma e mirando minha nuca.

-Porque está me seguindo? Quem é você? Vira o rostinho meigo para mim, não atiro pelas costas! Ao me virar, ele começa a rir.

-Você? Pensei que os outros já haviam acabado com sua vida! Melhor assim Quarta feira, eu vou provar que quinta feira é o melhor dia da semana!

-Cadê a menina? Pergunto -Eu sabia que iam mandar o melhor (para eles) para procurar, você está morto, não se preocupe com ela.

Ele é confiante demais, aproveitei a deixa e desarmei ele, e começamos a brigar, ele tinha uma faca, eu não vi quando ele pegou, e só soube da existência quando ele cravou ela na minha perna, estou velho para isso, pego minha arma e dou um tiro na sua mão, ele cai com o impacto, me jogo em cima dele e começo a bater em seu peito até ele começar a perder o ar.

-A menina está viva está na casa que eu sai! A chave da casa está no carro!

-Porque não deveria te matar? Você quase acabou com minha vida! Quem te contratou? Porque a menina? Quem são os outros dias da semana?

-Eu não falarei isso! Pegou minha mão e deu um tiro na própria cabeça.

Dei a volta no quarteirão, pego a chave e vou até a casa, uma casa bem bonita, provavelmente bancada com os trabalhos do ex Quinta feira.

Vasculho a casa e não encontro nada, quando estava saindo escuto um barulho vindo do guarda roupa, bingo a menina.

-Onde está o Quinta? Ele deveria voltar para me soltar!

-Eu não sei!

Ligo para o terno Branco e aviso onde a menina está, deixei ela no bar, rm poucos minutos vi viaturas passarem em minha direção indo até ela.

Estou ficando velho pra isso.

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Selva de Pedra

São 21 hs, estou aqui observando a vida fora da minha fortaleza, uma janela ampla de um prédio alto no centro de tudo, é onde faço meu observatório.
Consigo ver um lobo uivando para a lua cheia, feita de concreto, moro no meio de selva de pedra.
Lobos andam procurando cordeiros para se alimentarem, o céu está limpo, consigo enxergar tudo com ajuda do fogo industrializado. Porcos enchem cabanas enormes que vendem tudo e nada, tudo que não precisam está à venda nessas cabanas, mas por consumismo eles compram. Meios de transportes lotados de burros de cargas, que puxam carroças o mês inteiro atrás de um trocado mínimo. Chegam em seus lares, trocam de roupa e se fantasiam de porcos, comem e se espalham em seus assentos confortáveis de frente a tela hipnótica, que produz imagens e os forçam a ter o que não precisam ter.
Uma quantidade grande de gansos vão em direção de um templo pedir proteção ao seu criador, trocam de roupas e se tornam cordeiros, ajoelham de frente ao altar onde se localiza um lobo com uma pele bem falsa de cordeiro, que exige indiretamente aos gritos por dinheiro, e todos cordeirinhos dão aquilo que fará falta para eles, ao fim da celebração todos cordeiros vestem suas roupas e novamente se tornam gansos, falando da vida dos outros, esticando seus longos pescoços para olhar o vizinho e fofofcar, corujas não saem de cima do muro para ter assuntos sobre o que falar no jantar.
Águias voam atrás de Furões, que insistem em tomar o que não lhes pertencem, cachorros vira-latas vasculhando licos atrás de alimentos, dormem em caixas que um dia hospedavam objetos inúteis dos porcos.
Na rua a baixo de onde estou, porcos gordos com grandes meios de transportes particulares, param nas esquinas e contratam pavões para seu próprio prazer.
Ainda existem humanos no meio da selva, eles ajudam os que podem sua humanidade é inabalável, vejo os animais tentando converter eles, em vão.
Os humanos não mudam de ideia, vivem para ajudar ao próximo. São ridicularizados pelos lobos, não são dignos de serem caçados, vivem isolados observando a selva de pedra a espreita de alguém que necessite de ajuda.
Vejo o lobo que uivava atacando um cordeiro, menos um.
É só mais um dia normal na selva de pedra.

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Noites e baladas

Eu observo ela há uns meses, seu jeito felino de caminhar e observar tudo a sua volta me fascinou, era pra ser apenas uma diversão noturna, mas não consigo me aproximar, estou apaixonado por essa criatura.

Faze-la se apaixonar por mim não deve ser difícil, já há vi com alguns rapazes e seu gosto para homens é estranho. Eu teria que sair do meu posto de vigia, e me aproximar dela em uma das boates que ela tanto frequenta, mas isso a colocaria em risco, sito presença de outros como eu, ela é especial, qualquer um de nós pode sentir isso a distância.

Por hora eu andarei pela noite em busca de alimentos menos interessantes.

Camille andava se sentindo estranha há uns meses, como se alguém nas sombras a observasse, ela não tem me do de assombrações o medo era de algum tarado, medo comum em um mundo moderno. Mas isso não a impede de se divertir, em meses sai com uns rapazes para tentar esquecer seu último relacionamento que terminou de forma estranha, nenhum bilhete nenhuma carta mensagem post em rede social, simplesmente seu até então namorado, sumiu do mapa.

Então estava saindo com todos que conseguia, numa tentativa desesperada em achar uma alma gêmea.

Até que viu ele, Cabelo branco, um olhar vago e bebendo um liquido vermelho em uma taça, nada muito fora do normal nessa cidade, estava no canto mais escuro do Pub se movendo lentamente ao levar a taça a boca, em algum momento ele deve ter percebido que estava sendo observado e encarou Camille nos olhos, e caminhou em sua direção, ela hipnotizada pela beleza dele, não consegui se movimentar.

Ele falava de forma mansa, era educado foi fácil convence-la de ir a sua residência, ele pegou seu carro, um carro velho e desmanchando, aparentava ter sido recém tirado de algum ferro velho, Isso pouco importava para ela, a presença dele era mais importante no momento, nada mais era preciso, foi quando ela se deu conta de que não tinha lhe perguntado seu nome.

– Desculpe eu não me apresentei, meu nome é Camille e você é? Se bem que confesso que não lembro nem de ter ouvido sua voz.

– Renan, eu me chamo Renan!

A voz dele era forte, entraram no carro e foram até a residência de Renan, um apartamento com aparência rustica, Ele colocou uma música serviu ela com uma taça de Campari.

– Eu estava mesmo me perguntando o que você estava tomando no Pub.

– Eu gosto da cor vermelha, vou vestir uma roupa mais confortável, sinta-se à vontade para trocar de música e se servir quando acabar com essa taça!

Ele se retirou, ela pode ouvir ele abrir um aposento que imaginou ser o quarto. E ficou imaginando que tipo de pessoa ele seria, os objetos da casa eram atemporais, não pertenciam a época nenhuma e se parar pra pensar nem a o local que estavam. Um barulho de uma janela sendo aberta e passos em sua direção a tira do transe.

Ela saiu com o ultimo cara essa noite, posso vê-los entrando naquele veículo velho, de tantos para pega-la tinha que ser o Renan, depois de tantos anos caçando esse ser, um golpe do destino o trouxe a ela. E pensar que por alguns minutos eu perderia sua pista por anos novamente, por sorte minha dieta é fácil de seguir.

Segui-los foi fácil, mais difícil foi subir até o apartamento dele, usar escada de incêndio e procurar pelas janelas sem ser visto, não é muito fácil e não levou muito tempo até vê-lo em seu quarto se trocando, ele ainda abriu a janela ante de se retirar e se eu estiver com sorte ele está indo terminar a brincadeira que começou.

Ele voltou, estava com uma camisa aberta mostrando seu corpo sem timidez, Camille encarou seus olhos, e sentia-se leve, mal teve reação ao ver seu corpo deitar em cima de Renan, foi quando aconteceu, seus olhos fecharam e ela sentiu a pele fria dele passar em seu corpo sua boca abrir sentindo os lábios gelados dele encostando em seu pescoço quando de repente outro homem entra na sala, tomado por fúria Renan a joga no sofá e ela desmaia com a força que caiu.

Mas antes ouviu um nome Gregory…

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Velha Face

Eu vejo esses baba ovos de gringo, usando máscaras do Guy Fawkes se achando os patriotas, os tais anônimos, bando de lambe saco de gringo, tem que exportar a face de um herói que falhou em sua missão, por isso não deve estar funcionando essa tal revolução.
Eu vou pra rua também, lutar pelos nossos direitos, mas eu não sou um anônimo, sou Brasiliano também, mas me recuso a usar máscara de um herói importado. Minha face será escondida por uma face conhecida pelo governo, alguém que já foi temido pelo nosso governo.
A rua está um caos, polícia batendo em manifestantes e a mídia filmando só os vândalos, sou a favor do vandalismo, queimem os bancos, queimem as lojas, destruam, assim chamaremos atenção.
O cheiro do gás de pimenta invade meu nariz, a ânsia de vômito me faz parar de correr, mas o vinagre faz sua parte. Uma nação que vai pra rua lutar, deve estar disposta a apanhar.
Nessa muvuca, apareceram militantes políticos usando bandeiras de partidos, partidos cujos quais estamos lutando contra, malditos oportunistas, pego a maior bandeira depois de uma luta corporal com o antigo dono e queimo na frente de todos.

Um coro surge:
– Sem partidos, não existe partidos existe a revolução!

Acho que eles entenderam a mensagem, não viemos promover ninguém, viemos confrontar o poder, mostrar que temos voz e seremos ouvidos, gritaremos em seus tímpanos, até não restar dúvidas sobre nossas intenções.

A bandeira eu atiro em cima de uma viatura, a chama fica mais linda, hipnotizante, marchamos até o planalto central, lá invadimos bagunçamos e chamamos a atenção, o exército foi chamado para nos frear, mas recuaram com medo ou por compreenderem nossa revolta.

Aos poucos as formigas se tornaram milhares, os políticos aqueles ratos, se esconderam em buracos, nossa voz foi ouvida no mundo inteiro, isso não é o suficiente.

Um garoto me perguntou quem era na minha máscara, a resposta é:

Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, não sou anônimo, sou um cangaceiro e todos deveriam ser um em nossa nação.

lpi

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